A janela

Certo dia me peguei olhando por uma janela, via pessoas passando, crianças chorando, carros, motos, passarinhos, árvores, para ser mais exata eu via o mundo de um ângulo diferente. Hoje resolvi olhar outra janela, a janela que me fez enxergar dentro de mim, é como se eu tivesse saido do meu corpo e ficasse me “assistindo”. Sim, assistindo tudo que eu fiz durante muito tempo, tinha horas que ao olhar por essa janela vinha a melhor sensação do mundo, tinha hora que tudo que eu queria é que uma cortina se fechasse e eu pudesse esquecer tudo que eu tinha acabado de ver, mas não, essa janela não tem cortinas, e eu tive que enfrentar tudo. Foi como mergulhar em minhas lembranças, reviver minhas angústias e por um momento sentir algumas alegrias passadas. Essas foram tão momentâneas que não dava tempo de vê-las por inteiro, mas quando eu abria a memória das angútias eu revivia tudo, cada segundo exatamente como tinha sido antes. É eu fiquei mal, muito mal, mas, algumas coisas precisam ser feitas, vividas, revividas várias e várias vezes, sem o tal do botão “excluir” ou da “cortina” se fechando.
Não fiz isso por vontade própria, acho que tinha chegado a hora de eu pensar em tudo, e ver que nem todas as minhas burradas foram burras. Hoje, olhando de fora eu vejo que foram necessárias, e por mais que elas ainda me machuquem elas tem que ser revividas, pois esse é a única forma de me fortalecer. É como lidar com um medo profundo, você tem que encarar ele de frente, sem medo do que está por vir, e foi isso que eu fiz, abri essa janela, vi tudo que eu tinha que ver e quando eu terminei apareceu a tão esperada cortina, e sabe o que eu fiz? Deixei ela aberta. Assim eu tenho a certeza de que eu vou poder reviver tudo sem medo, pois quando perdemos o medo de algo, a primeira coisa que fazemos é nós prender a ele.
Portanto, abra sua cortina, olhe pela sua janela e veja tudo que você teme, só assim o medo vai se tornar seu maior desejo.